O que os movimentos mais recentes do mercado revelam sobre os próximos passos da logística?
No Radar Delage, reunimos periodicamente notícias, dados e anúncios que ajudam a compreender as transformações em curso na armazenagem, no fulfillment e no supply chain. Mais do que acompanhar novidades, a proposta é analisar o que elas representam para as operações e para as decisões dos gestores.
Nesta edição, selecionamos três notícias publicadas nos últimos dias:
- A Amazon estuda automatizar integralmente suas estações de entrega;
- O mercado global de automação intralogística pode praticamente dobrar até 2032;
- O Walmart anunciou um novo fulfillment center automatizado nos EUA, com investimento de US$ 1,3 bilhão.
São movimentos de naturezas diferentes, marcando um novo conceito operacional, uma projeção de mercado e um investimento de grande escala, mas todos apontam para a mesma direção: a automação física está avançando rapidamente e chegando a mais etapas da operação logística.
Esse avanço, porém, não elimina a complexidade. À medida que robôs, sistemas, equipamentos, pessoas e canais passam a operar de forma cada vez mais conectada, cresce também a necessidade de coordenar recursos, prioridades, capacidades e exceções.
A seguir, analisamos o que cada uma dessas notícias revela e por que o software se torna ainda mais estratégico nesse novo cenário.
Amazon estuda automatizar uma das etapas mais complexas da entrega
A Amazon está desenvolvendo um conceito de estação de entrega altamente automatizada, chamado internamente de Project Tetromino.
As estações de entrega representam o último ponto da rede logística antes de os pacotes seguirem para o consumidor. Elas recebem os pedidos vindos dos fulfillment centers e realizam atividades como classificação, organização, sequenciamento e preparação das cargas para os veículos. Essas tarefas ainda dependem significativamente do trabalho humano, principalmente pela dificuldade de organizar pacotes com diferentes dimensões e destinos na sequência adequada para cada rota.
Segundo documentos internos divulgados pelo portal Business Insider, a Amazon estuda utilizar Inteligência Artificial e robótica para automatizar boa parte desse processo. O conceito poderia processar pacotes em um ritmo aproximadamente 2,5 vezes maior que o das estações atuais.
O projeto ainda está em fase inicial. A própria Amazon ressaltou que os planos podem mudar e contestou os valores e o cronograma apresentados nos documentos. Mesmo assim, o movimento é relevante porque mostra a automação avançando para além das atividades tradicionais de armazenagem e separação.
O próximo desafio está na transição entre o fulfillment e a última milha: organizar os pedidos na sequência certa, sincronizar veículos e rotas e manter o fluxo sem interrupções.
Mercado de automação intralogística pode dobrar até 2032
Outro sinal da velocidade dessa transformação está nas projeções para o mercado: dados da consultoria LogisticsIQ, apresentados pela Bertolini Sistemas de Armazenagem durante o Fórum ILOS 2026, indicam que os investimentos globais em automação intralogística podem passar de aproximadamente US$ 31 bilhões em 2026 para US$ 64 bilhões em 2032 — crescimento médio estimado em 12% ao ano. Somente na América Latina, a expectativa é de investimentos entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões no período.
Entre as tecnologias com maior perspectiva de crescimento estão os AGVs e AMRs, utilizados na movimentação de materiais dentro dos centros de distribuição. A previsão é que esses equipamentos representem aproximadamente um quarto dos investimentos globais em automação intralogística em 2032.
A busca por automação está diretamente relacionada ao peso das atividades que não agregam valor ao processo. Em operações manuais de picking, uma parcela significativa do tempo pode ser consumida pelo deslocamento dos profissionais dentro do CD e pela procura dos itens. Soluções de radiofrequência, esteiras, pick-to-light e voice picking reduzem parte desse esforço. Em modelos goods-to-person, o deslocamento dos produtos até as estações de trabalho passa a ser automatizado, permitindo que os profissionais dediquem mais tempo à separação.
Entretanto, o aumento dos investimentos não significa que todas as operações precisem avançar imediatamente para a robotização completa. A tecnologia deve responder às características, aos volumes e às perspectivas de crescimento de cada negócio. Em determinados cenários, a implantação de um sistema WMS especializado e a reorganização dos processos podem produzir ganhos significativos antes da adoção de robôs.
Mais importante que automatizar é entender o que automatizar, em qual momento e com qual objetivo operacional.
Walmart transforma automação em infraestrutura de escala
O terceiro movimento vem do Walmart, que anunciou a construção de um novo fulfillment center de última geração em Carnesville, no estado norte-americano da Geórgia. O projeto prevê um investimento de US$ 1,3 bilhão, a criação de mil empregos e uma instalação automatizada de aproximadamente 139 mil metros quadrados. A construção deverá começar no final de 2026.
Localizados em mercados estratégicos, os fulfillment centers de nova geração do Walmart têm a função de ampliar a capacidade de entregas no mesmo dia e no dia seguinte nos Estados Unidos.
O anúncio mostra que a automação já não é tratada apenas como um projeto experimental ou uma melhoria localizada. Para grandes varejistas, ela se torna parte da infraestrutura necessária para ampliar cobertura, sustentar volumes maiores e responder às expectativas de velocidade e conveniência do consumidor.
Também reforça que tecnologia e pessoas não são necessariamente forças opostas. Mesmo com alto nível de automação, a nova unidade deverá criar mil postos de trabalho. O que muda é a configuração da operação, com equipamentos assumindo tarefas repetitivas e profissionais atuando em atividades de controle, resolução de problemas e gestão dos fluxos.
Movimentos diferentes. Uma mesma direção.
A Amazon mostra até onde a automação pode chegar. As projeções de mercado revelam a velocidade com que os investimentos estão avançando. Já o Walmart demonstra a escala que essa transformação está adquirindo.
São movimentos distintos, mas a leitura é a mesma: a automação física está deixando de ser um diferencial restrito a poucas empresas e se tornando uma competência cada vez mais importante para operações que precisam crescer com produtividade e previsibilidade.
Isso não significa, porém, que a complexidade desaparece. Quando pessoas, robôs, equipamentos, estoques, pedidos, docas, veículos e diferentes canais precisam trabalhar em conjunto, a complexidade se desloca da execução manual para a coordenação de todo o ecossistema.
Um robô pode movimentar um item. Uma esteira pode transportá-lo. Um sistema automatizado pode armazená-lo ou conduzi-lo até uma estação de trabalho. Mas alguém precisa determinar qual pedido deve ser priorizado, qual recurso está disponível, como distribuir as tarefas e o que fazer quando uma integração falha, um equipamento fica indisponível ou a demanda se desvia do planejamento. É nesse ponto que o software se torna ainda mais estratégico.
A automação exige uma camada de coordenação
Em uma operação automatizada, o WMS não atua apenas como um registro de estoque. Ele precisa conectar processos, interpretar prioridades e coordenar a execução entre diferentes recursos.
É o sistema que organiza como os itens são recebidos, armazenados, movimentados, separados e expedidos. Também é responsável por manter a rastreabilidade, acompanhar a produtividade e responder às exceções que surgem ao longo do fluxo.
Essa coordenação se torna ainda mais importante quando o armazém faz parte de uma operação omnichannel. Nesse cenário, pedidos originados em lojas, e-commerce, marketplaces e outros canais disputam o mesmo estoque e a mesma capacidade operacional.
WMS, OMS e FMS precisam trocar informações para que estoque, pedidos, fulfillment e docas funcionem de forma sincronizada.
Quanto maior o nível de automação, maior a dependência de integrações confiáveis, visibilidade em tempo real e decisões rápidas.
A automação não elimina a complexidade. Ela muda onde essa complexidade precisa ser gerenciada.
Sua operação está preparada para coordenar o que vem depois?
Antes de investir em novos equipamentos, é necessário avaliar se os processos e sistemas atuais são capazes de sustentar esse próximo nível de operação. Isso envolve compreender os gargalos existentes, dimensionar corretamente a tecnologia, preparar as integrações e garantir que a operação possa evoluir sem perder controle, flexibilidade ou visibilidade.
A Delage combina conhecimento logístico, software especializado e experiência em integração com diferentes tecnologias de automação para construir operações mais coordenadas, eficientes e preparadas para crescer.
A pergunta não é mais apenas se sua operação vai automatizar. É se ela está pronta para coordenar o que vem depois.
Fale com os especialistas da Delage e descubra como preparar sua operação para a próxima etapa.
Fontes consultadas:
- Business Insider: Amazon plots a new “Tetromino” warehouse where robots tackle work that’s notoriously hard to automate
- Transporte Moderno: Mercado de automação logística deve dobrar até 2032
- Chain Store Age: Walmart plans next-gen fulfillment center in Georgia