Estudo publicado em Londres ouviu 32 organizações de mais de dez países. A desenvolvedora brasileira do WMS Delage® Rx cresce entre 20% e 30% ao ano, acima do ritmo projetado para o mercado global.
A Delage, desenvolvedora do WMS Delage® Rx, é a única empresa da América Latina entre as 32 organizações que o relatório WMS Software 2026 lista como entrevistadas. O estudo foi publicado em setembro pela britânica STIQ Ltd, especializada em pesquisa sobre automação de armazéns e supply chain.
Entre os fornecedores de WMS ouvidos pelos analistas, a Delage é também a única ibero-americana. A empresa aparece em seis citações, distribuídas por quatro capítulos, e todas as menções do relatório à América Latina vêm dessas contribuições.
Um mercado global de US$ 11,4 bilhões
Com 70 páginas, o relatório é assinado por Tom Andersson, fundador e analista principal da STIQ, e por Adam Botterill, sócio da empresa. Os analistas entrevistaram fornecedores de WMS, integradores de sistemas e consultorias das Américas, da Europa, da Ásia e da Oceania.
A STIQ estima o mercado global ligado a WMS em US$ 11,4 bilhões em 2026, cerca de 5% abaixo de 2025. A conta inclui WMS, WES, WCS, consultoria, implantação, licenças, nuvem, manutenção e hardware. A queda reflete sobretudo projetos adiados para 2027 em meio a tarifas e tensões geopolíticas.
Para 2025–2030, a projeção é de crescimento médio de 7,5% ao ano, até US$ 17,2 bilhões. A penetração da nuvem, hoje em torno de 45%, deve superar 50% até 2028.
O estudo também destaca quatro tendências:
- A inteligência artificial deve impactar fortemente o setor, mas os benefícios práticos ainda são desiguais e não há consenso sobre como monetizá-la.
- A expansão das “ilhas de automação” em armazéns existentes tende a elevar a demanda por WES e por WMS preparados para automação.
- Os compradores de WMS estão mais experientes e exigentes, depois de sucessivas trocas de sistema.
- Fornecedores de ERP estão cada vez mais ativos no segmento de WMS.
O que a Delage levou ao debate
Crescimento acima do mercado. A Delage relatou aos analistas crescimento anual entre 20% e 30% nos últimos anos, ritmo que deve se manter. Segundo a empresa, a América Latina está tão aquecida que ainda não houve tempo de chegar a Portugal e à Espanha. A Espanha, um grande mercado, está nos planos, assim como Portugal e África.
Serviço como diferencial. A STIQ observa que é difícil manter serviço de alto nível em mercados estrangeiros com um software “mão na massa” como o WMS. Resolver um problema pode exigir visitas ao armazém, e terceirizar esse atendimento a parceiros traz riscos. Para a Delage, os grandes fornecedores globais têm dificuldade em oferecer na América do Sul o serviço que entregam na Europa e nos EUA.
A resposta da Delage é presença local e o modelo de suporte D-Zero, que, segundo a empresa, resolve 96% dos chamados no mesmo dia.
Especialização frente aos ERPs. O relatório mostra que os sistemas mais substituídos por novos WMS são módulos de ERP e WMS legados. Mostra também fornecedores de ERP cada vez mais ativos no segmento. Segundo a Delage, em projetos menores, boa parte da concorrência no Brasil vem justamente de fornecedores de ERP.
Nos projetos da empresa, o mais comum é substituir WMS antigos ou pouco eficientes e módulos de estoque de ERPs. Na Argentina, são comuns os sistemas desenvolvidos internamente; na indústria, a Delage ainda substitui muitas planilhas.
A Delage conhece esse caminho por dentro. Foi uma empresa de ERP e, no fim dos anos 1990, lançou seu WMS porque as soluções globais não atendiam o cliente brasileiro. Na avaliação da empresa, essa lacuna persiste, e o avanço do e-commerce levou à integração de OMS, FMS (store fulfillment) e YMS ao WMS.
Presença nos grandes projetos. Segundo a STIQ, consultorias de seleção de WMS atuam sobretudo nos segmentos Tier 1 e Tier 2 e nos maiores clientes e projetos. Na Delage, esse canal responde por 10% a 20% das oportunidades recebidas e, às vezes, pelos maiores projetos.
Declarações
“Estar numa conversa global ao lado de players da Europa, da América do Norte e da Ásia confirma que a tecnologia desenvolvida no Brasil compete de igual para igual”, afirma Bruno Faria Honório, diretor de Vendas e Projetos da Delage. “Nosso diferencial é unir um WMS especialista, feito para a complexidade latino-americana, a um atendimento próximo do cliente.”
“Em WMS, serviço é decisivo. Não basta vender um bom software: é preciso estar no site do cliente quando ele precisa, conhecer como são as instalações por padrão na região, como são as operações, a cultura, as pessoas”, completa Bruno. “É isso que sustenta nosso crescimento na América Latina e o que queremos levar à Península Ibérica e à África.”
Sobre o relatório da STIQ
WMS Software 2026 – Warehouse Management Software (WMS, WCS, WES), publicado pela STIQ Ltd em setembro de 2026. Autores: Tom Andersson e Adam Botterill. São 70 páginas, em inglês.
A metodologia se baseia em entrevistas com 32 organizações identificadas, além de colaboradores anônimos, de mais de dez países. Entre os entrevistados estão fornecedores de WMS, WES e WCS, integradores, consultorias e outros stakeholders do setor.
O download é gratuito na página do relatório na STIQ. A STIQ permite reproduzir o conteúdo com a fonte “STIQ Ltd, 2026 WMS Report” e link para essa página.
Sobre a STIQ
Fundada em 2018 e sediada em Londres, a STIQ Ltd (Styleintelligence) publica pesquisas de mercado gratuitas. Os estudos cobrem automação de armazéns, robótica, software para supply chain e tecnologia para varejo. A metodologia vem da pesquisa para due diligence de fusões e aquisições, feita para investidores de venture capital e private equity.
A pesquisa é primária, baseada em entrevistas e produzida integralmente por analistas humanos. Só os analistas da STIQ veem o relatório completo antes da publicação; os entrevistados revisam apenas as próprias citações, sem influenciar a análise.
Os relatórios da STIQ somam mais de 85 mil downloads desde 2020, e seus analistas visitam de 20 a 25 feiras e eventos do setor por ano.